Senador critica Governo Federal por mudanças nas regras do combate ao trabalho escravo

As mudanças nas regras para combater o trabalho escravo, publicadas pelo Ministério do Trabalho na última segunda-feira (16), foram alvos de duras críticas por parte do senador Renan Calheiros, na sessão de hoje. No plenário, o parlamentar afirmou que a medida será um retrocesso, retornando o escravagismo para o país em troca de apoio político da bancada ruralista ao presidente Michel Temer.

“Quando se fez a CLT, teve que se fazer no Brasil, paralelamente, uma Justiça do Trabalho. Até então nós não tínhamos um Judiciário com condições de decidir em favor do trabalhador. Esse Governo não pode desmontar isso do dia para a noite. Eu jamais pensei um dia ouvir do ministro Blairo Maggi (Agricultura) uma declaração desse tamanho, de que nós tínhamos que comemorar o retrocesso, um decreto que favorece a escravidão no Brasil. Isso é um horror. É o maior patamar de degradação que já tivemos na relação entre os Poderes”, afirmou.

Segundo o senador Renan Calheiros, em vez de negociar direitos dos brasileiros em troca de votos para não ser investigado, a postura de Temer deveria ter sido diferente, deixando a Câmara dos deputados autorizar a abertura de investigação. “Jamais um presidente da República, ao longo da nossa história, teve um pedido para ser investigado e negou. Ora, se o presidente tem certeza de que a denúncia é vazia, nada mais prudente do que a liberação para investigação, para que o Supremo Tribunal Federal diga que a denúncia é vazia, que é consequência de excessos do Procurador-Geral da República. Mas trocar um decreto que permite o trabalho escravo por voto de uma Bancada ruralista? Isso é o fim!”, lamentou.

O senador alagoano continuou as críticas ao presidente apontando que a melhor forma de mostrar inocência é deixar que o STF julgue. “Nós estamos aqui, muitos investigados. Na semana que passou o Supremo Tribunal Federal decidiu sobre uma denúncia vazia a meu respeito. Já são cinco arquivados, porque são cinco denúncias vazias. Por que o presidente da República não pode ser investigado? No caso dele, não investigar agora significa mandar para as calendas gregas, para a impunidade”, colocou Renan Calheiros, lembrando que o presidente tem 77 anos de idade, e que depois que deixar o cargo seus processos irão tramitar na primeira instância. “Ele vai poder delongar isso indefinidamente e vai ficar pairando sobre o nome dele, sobre o seu Governo, a pecha de que ele pertenceu, no momento em que exercia a Presidência da República, ao comando de uma organização criminosa na Câmara dos Deputados. Eu não desejo isso para o presidente Michel”.

 

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