Folia Alagoana

A origem do carnaval no mundo vem de uma manifestação popular muito antiga. Começou na Itália com o nome de Saturnálias – festa em homenagem a Saturno. No início da era Cristã, começaram a surgir os primeiros sinais de festejos considerados mundanos. A festa chegou a Portugal nos séculos XV e XVI, recebendo o nome de entrudo – isto é, introdução à Quaresma.

Hoje, nossa festa popular fascina o mundo e os turistas que esperam encontrar no Brasil a alegria e vivacidade que raramente se manifestam espontaneamente lá fora. O carnaval moderno virou uma indústria que impulsiona a economia, gera empregos, alavanca o turismo e projeta a imagem de um país alegre.

Na Bahia, por exemplo, a cada ano, a festa é responsável pela geração de 130 mil empregos diretos e indiretos e por uma movimentação de negócios da ordem de mais de meio bilhão de reais.

Já o carnaval de Alagoas é feito nas ruas, com homens e mulheres desfilando suas fantasias e alegorias. As pessoas se manifestam nos folguedos mais tradicionais como os blocos de caboclinhos, dança originária da herança indígena, onde os arcos, bumbos e pífanos marcam o ritmo contagiante.

No inicio do século passado, na Praça dos Martírios e nos clubes, o lança-perfume, o confete, a serpentina e as mais variadas fantasias enchiam a cidade de alegria e cor. E isso sobrevive até os dias atuais. Os blocos carnavalescos de bairros, com muito frevo no pé, arrastavam um grande número de pessoas, como o Vassourinhas, Morcegos, Garças Brancas Lenhadores, Bacuraus, Filhos da Montanha, e até um denominado de Bomba Atômica, formado por membros do Exército Brasileiro, que ainda enriquecem a memória alagoana.

Também não podemos esquecer o Cavaleiros do Monte, trazendo à frente seu criador, o inesquecível Rás Gonguila, além do inigualável passista Moleque Namorador, que hoje dá nome a uma praça no bairro de Ponta Grossa, em Maceió. Já nos meados da década de 50, o Banho de Mar à Fantasia, no domingo após o sábado de Zé Pereira, reunia criativas sátiras de autoria de foliões como Bráulio Leite Jr., Rubens Camelo e Paulo Peixoto.

Há, em muitas cidades alagoanas, a tradição dos blocos de sujo com suas críticas sociais. Alguns chegavam a dividir as populações em torcidas organizadas e até fanáticas. Matriz de Camaragibe, na região norte, durante a primeira metade do século passado, tinha os “Democratas” e os “Lenhadores”. Esta tradição foi revivida em Maceió nos anos 80, com o surgimento do bloco “Meninos da Albânia”, que tinha inspiração política definida e uma ferina crítica social.

Mas o carnaval alagoano freqüentou também os salões nobres da Fênix e do Iate Clube, em Maceió. Nas primeiras décadas do século passado, os bailes eram animados pelas polcas e mazurcas compostas por Misael Domingues. Na segunda metade do século, os sambas de Juvenal Lopes eram a coqueluche da cidade.

Também se destacava como compositor o radialista Edésio Lopes, que cantou a mulher alagoana resgatando sua origem indígena: “Vem morena caeté / vem morena xucuru / vem morena açucarada / da terra do sururu”. Ou, ainda, as belezas indizíveis de Maceió: “Olhei a cidade sorriso / e vi Maceió tão feliz / mostrando tanta beleza ao povo desse país”.

*Renan Calheiros é Líder do PMDB no Senado

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